O Brasil criticou a decisão do governo de Israel de suspender a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza. A medida, anunciada no último domingo (2), ocorreu após o término da primeira fase do cessar-fogo entre Israel e o Hamas. O governo brasileiro considerou a obstrução da ajuda uma violação do direito internacional, ressaltando que essa ação agrava a já precária situação humanitária em Gaza e fragiliza o cessar-fogo vigente.
“O governo brasileiro deplora a decisão israelense de suspender a entrada de ajuda humanitária em Gaza, que exacerba a precária situação humanitária e fragiliza o cessar-fogo em vigor”, afirmou o Itamaraty.
“Ao exortar à imediata reversão da medida, o Brasil recorda que Israel tem obrigação — conforme reconhecido pela Corte Internacional de Justiça em suas medidas provisórias de 2024 — de garantir a prestação de serviços básicos essenciais e assistência humanitária à população de Gaza, sem impedimentos. A obstrução deliberada e o uso político da ajuda humanitária constituem grave violação do direito internacional humanitário”, acrescentou o Ministério das Relações Exteriores.
Desde o início do conflito em outubro de 2023, o Brasil tem defendido um cessar-fogo permanente e a permissão para a entrada de ajuda humanitária para os palestinos. No entanto, o Brasil enfrentou dificuldades diplomáticas em sua tentativa de mediar o conflito, especialmente após uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que comparou a situação em Gaza ao regime nazista. Esse episódio gerou tensões entre Brasil e Israel.
Apesar das diferenças, as recentes homenagens de Lula às vítimas do Holocausto abriram espaço para um possível restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, também expressou sua oposição a propostas que envolvem a expulsão dos palestinos da Faixa de Gaza, reafirmando a posição do Brasil em favor de uma solução de dois estados e a retirada das tropas israelenses da região.

