Manaus/AM – A polícia divulgou novos desdobramentos das prisões do casal de paulistas Luiz Armando dos Santos, de 40 anos, e Wesley Fabiano Lourenço, de 38 anos, e do empresário José Urbelan Pinheiro de Magalhães, suspeitos de envolvimento na tentativa de compra de um recém-nascido neste final de semana no município de Manacapuru, no interior do Amazonas.

Um deles revelou um esquema criminoso de venda de crianças na cidade. A esposa de José também está na mira da polícia por suspeita de participação no crime. Conforme a delegada Joyce Coelho, durante as investigações e depoimentos ouvidos, descobriu que Wesley e José já estiveram em Manacapuru várias outras vezes e mais recentemente, estavam aqui desde junho para aguardar o parto da mãe da criança, eles só não conseguiram levá-la, porque não conseguiram registrá-lo no hospital e porque ele só receberia alta no dia seguinte.

“Primeiramente um falou que era o pai biológico da criança, em seguida acabaram relatando que haviam transferido a quantia de R$ 500 para um intermediador do município e este teria indicado a essa pessoa que estaria disposta a entregar a criança (…) O intermediador relatou para a equipe de investigação que não foi só essa quantia que ele e a sua esposa foram procurados por essa mulher para receber. Ele relatou que ela estava devendo a um com agiota a quantia de R$ 500 e perguntou se ele sabia de alguém que queria ficar com a criança pagando esse valor”.
A mulher de 31 anos, que não teve o nome divulgado, já teve outros oito filhos e nenhum deles está sob os cuidados dela, o que reforça ainda mais a suspeita de um esquema articulado de venda de bebês na cidade. Além disso, Sabão revelou que o casal conheceu uma mulher de Manacapuru em São Paulo e foi ela quem articulou a vinda deles para o município amazonense, a fim de que eles comprassem a criança e que eles já teriam comprado outro bebê.
essa moça ainda não foi identificada.
“Essa moça mora em São Paulo, ela consegue possíveis clientes para fazer esse tipo de adoção ilegal. Após o flagrante, estão chegando várias informações da delegacia especializada de Manacapuru. Inclusive esses homens já estiveram outra vez no município, já tentaram outras adoções. Há notícia de que eles já teriam levado essa outra criança, mas isso ainda não foi confirmado”, relata.

Joyce destaca que o casal já tinha tentado adotar um filho legalmente, mas não conseguiram por falta de documentação e tentativa de fraude, o que fez com que o processo fosse arquivado. Eles afirmaram ainda, que durante a gestação, realizaram diversas transferências de valores para José, também conhecido como “Sabão”, que seriam partes do pagamento pela criança. Sabão, por sua vez, nega ter cobrado algo e disse que toda a quantia era entregue à mãe do bebê.
Segundo a delegada Joyce Coelho, o casal foi preso em flagrante, mas foi liberado em audiência de custódia. As investigações, porém devem continuar porque para a delegada, este é apenas “o fio da meada” para desmantelar o esquema criminosos de compra de crianças e doação ilegal. A mãe do bebê também foi presa e deve ser ouvida novamente, sobretudo para explicar o paradeiro dos oito filhos que teve antes desse. A criança está em um abrigo e vai permanecer sob tutela do estado.
” Nós verificamos que há realmente um esquema de adoção ilegal, inclusive com o pagamento em quantias em dinheiro. Justamente por isso fizemos o flagrante delito e apreendemos os aparelhos celulares dos três presos (…) Um é corretor de imóveis e outro arquiteto. O que eu ressalto é que eles já estiveram no município diversas vezes, isso também nos acende um sinal, é muito suspeito que o Brasil sendo tão vasto, ele sendo de São Paulo, eles estejam insistindo em estar aqui buscando crianças do município de Manacapuru”.
A partir da quebra de sigilo telefônico e bancário, a polícia vai buscar informações de quanto ao certo a mãe recebeu pelo bebê, assim o como o intermediador da adoção ilegal. E também deve chegar a outros envolvidos.