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Secretário de Lábrea é exonerado após acusações de assédio sexual e desvio de verbas da educação

Envolvido em sérias acusações de assédio sexual e favorecimento indevido de familiares com dinheiro público, o agora ex-secretário de Governo da Prefeitura de Lábrea, José Hélio Camurça, foi exonerado do cargo na última sexta-feira (18).

A decisão foi oficializada pelo prefeito Gerlando Lopes (PL) e publicada nesta segunda-feira (21) no Diário Oficial dos Municípios.

A exoneração ocorre após a repercussão de uma denúncia feita por duas mulheres, incluindo uma servidora da prefeitura, que acusam José Hélio de importunação sexual.

Além disso, documentos revelam que ele utilizou recursos do Fundeb – fundo federal destinado à educação básica – para beneficiar diretamente seus próprios familiares com altos pagamentos e vantagens.

Conforme relatos registrados em boletim de ocorrência, o assédio teria ocorrido durante uma viagem a Manaus, quando a servidora pública precisou de suporte financeiro e o secretário, aproveitando a situação, passou a enviar mensagens via WhatsApp com convites pessoais.

A mulher, que estava acompanhada de uma tia, recusou os avanços e ressaltou que era casada, mas ainda assim continuou sendo pressionada.

Após retornar ao município, ela afirma ter sido remanejada do setor onde trabalhava, sob alegação de “quebra de confiança”.

A servidora também denunciou que ela e seu marido — também funcionário público — sofreram ameaças de retaliação dentro da prefeitura, o que aumentou ainda mais o clima de intimidação.

Em paralelo ao caso de assédio, o ex-secretário também é alvo de uma investigação conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF).

A apuração gira em torno do possível uso irregular de verbas federais da educação para premiar pessoas de sua confiança — entre elas, parentes próximos.

Segundo os documentos obtidos pelo MPF, o nome da professora Raimunda Braga da Costa, identificada como sogra de Camurça, aparece como beneficiária de R$ 8.481,56 líquidos em maio de 2025.

O valor chamou atenção por estar acima da média salarial dos demais profissionais da educação no município.

Além dela, há registros de outras pessoas próximas ao ex-secretário recebendo adicionais, gratificações e diárias com valores acima do padrão, o que levanta sérias suspeitas de desvio e uso político dos recursos do Fundeb.

A exoneração de José Hélio Camurça não encerra o caso.

Pelo contrário, aumenta a pressão sobre a administração de Gerlando Lopes, que agora precisa lidar com o desgaste político e a cobrança por uma apuração rigorosa.

A população, em especial os profissionais da educação, aguardam posicionamentos mais firmes sobre a condução dos gastos públicos no município.

Enquanto isso, o Ministério Público e a Polícia Civil seguem com as investigações que podem resultar em processos judiciais contra o ex-secretário.

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