A Polícia Federal investiga o caso de ao menos 12 mulheres, frequentadoras de casas de shows e eventos de forró que tiveram fotos íntimas divulgadas e comercializadas em sites pornográficos e grupos no Telegram. Segundo o Ministério Público Federal, a maioria dos casos foram registrados em casas de forró de São Paulo e interior, mas também há casos no Rio de Janeiro e até na Itália, onde mora uma das vítimas.
A denúncia, que envolve frequentadores de forrós e também músicos e produtores, chegou ao conhecimento das autoridades após as mulheres procurarem ajuda na Bancada Feminista do PSOL na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

As vítimas revelaram que tiveram vídeos e fotos registrados sem o seu consentimento por homens que conheciam em festas de forró e acabavam se relacionando posteriormente, fora destes locais. Algumas delas chegaram a namorar os homens que divulgaram as imagens e só tomaram conhecimento da existência do conteúdo na internet depois que os mesmos foram vistos por amigos, parentes e conhecidos.
Desde que as investigações começaram, pelo menos dois grupos que comercializavam as fotos das vítimas do no Telegram já foram identificados. Eles se chamam “Cremosinhas da Putaria” e “Vazadinhas Inéditas”, ambos tem o objetivo de vender conteúdos de pornografia adulto e divulgar mulheres tidas como “presas fáceis para sexo” nas festas.

Na descrição dos mesmos há inclusive uma lista de festivais e endereços de locais onde essas mulheres podem ser encontradas. Para entrar no grupo, há uma série de exigência e pré-requisitos, entre eles: compartilhar foto ou vídeo de uma mulher, se identificar com foto e identificar a vítima, relatar as fragilidades da mesmas, endereço, telefone, prints de conversas e informações pessoais como se ela tem filhas, o que topam fazer na cama e outras depreciações.
A partir daí, o membro precisa pagar R$ 50 mensais para ter acesso aos conteúdos. Um dos grupos já existe há mais de 10 anos e foi por meio dele que uma das vítimas soube que suas fotos circulavam em grupos e sites. Um homem que tem trabalha no meio foi convidado para entrar e se assustou com o que as regras e o que era oferecido.

Ele identificou uma das mulheres, buscou a rede social dela e a avisou sobre o conteúdo sobre ela. O homem também cedeu uma série de informações e prints do grupo para a mesma e o orientou a denunciar o caso à polícia. A partir daí, várias outras vítimas surgiram e relataram episódios de agressões, violência física e psicológica, ameaças e outras contra homens com quem tinham se relacionado e que estavam no grupos fazendo divulgações.
A PF está no caso, mas evitou ceder informações para não prejudicar as investigações que estão em andamento.