O deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator da proposta de anistia na Câmara, afirmou que não existe mais a possibilidade de uma anistia “ampla, geral e irrestrita” para os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro e na tentativa de golpe de Estado. Segundo ele, o objetivo agora é construir um texto que possa “pacificar o Brasil”, sem abrir espaço para perdão total. Paulinho foi escolhido para a função pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e deve apresentar uma nova versão do projeto nas próximas semanas.
De acordo com o parlamentar, a ideia é discutir o tema com bancadas da Câmara, Senado e até integrantes do Supremo Tribunal Federal, caso haja atritos. Uma das possibilidades em estudo é a redução de penas para parte dos condenados, mas Paulinho ressaltou que não será possível individualizar benefícios, nem elaborar um texto que tenha como foco apenas o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Se Bolsonaro for beneficiado, muito bem, e se não for, também. Não posso tentar salvar individualmente”, disse.
O deputado também criticou a atuação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que tem pressionado nos Estados Unidos por um perdão ao pai. Para Paulinho, essa movimentação pode atrapalhar as negociações no Congresso e até gerar novos atritos diplomáticos. Ele lembrou que os EUA já anunciaram tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, mencionando o julgamento do ex-presidente como um dos fatores. “Se tiver novas sanções no meio dessa discussão e votação, vai atrapalhar, e muito”, alertou.

