A deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) prestou depoimento nesta quarta-feira (24) à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara, no âmbito do processo que pode cassar seu mandato. Presa na Itália, Zambelli afirmou durante a audiência remota que sofre perseguição do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, a quem chamou de “bandido”.
O STF condenou Zambelli, em maio, à perda de mandato e a dez anos de prisão por invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), junto com o hacker Walter Delgatti Neto. A deputada negou envolvimento direto na criação de ordens de prisão falsas emitidas por Delgatti e afirmou que só tomou conhecimento da invasão depois dos fatos. Zambelli destacou que seu objetivo era investigar a segurança de urnas eletrônicas, reforçando seu posicionamento histórico a favor do voto impresso.
Durante o depoimento, Zambelli relatou dificuldades financeiras provocadas pelo bloqueio de suas contas, de seu marido e de seu filho, afirmando que as medidas teriam sido determinadas por Moraes. Ela também disse que a prisão na Itália foi utilizada para demonstrar confiança na Justiça brasileira enquanto não conseguia se explicar sobre os acontecimentos no país. A parlamentar negou proximidade pessoal com Delgatti e esclareceu que ele nunca esteve hospedado em seu apartamento funcional.
O presidente da CCJ, Paulo Azi (União Brasil-BA), afirmou que a oitiva da deputada ocorreu respeitando o direito à ampla defesa e ao contraditório, apesar de questionamentos de parlamentares como Fernanda Melchionna (PSOL-RS), que criticaram a forma como o depoimento foi conduzido. Antes de Zambelli, três testemunhas indicadas pela defesa foram ouvidas, incluindo Delgatti e especialistas em provas digitais, enquanto outros nomes indicados não aceitaram depor.
O relator do processo, deputado Diego Garcia (Republicanos-PR), terá cinco sessões para apresentar seu parecer. Em seguida, o caso seguirá para o plenário da Câmara, onde a cassação do mandato de Zambelli dependerá da aprovação da maioria absoluta, ou seja, 257 votos. A decisão divide a bancada do PL: alguns deputados defendem a não cassação, enquanto outros afirmam que, mesmo se não for extraditada, Zambelli não poderá exercer seu mandato da Itália.

